A cadeia alimentar das revistas predatórias / Pesquisa Fapesp
Talvez você queira ser creditado como o criador de um “biorreator de membrana baseado em inteligência artificial para tratamento de esgoto”. Ou, quem sabe, de um “robô humanoide com aplicações industriais”. Pois se de um lado temos revistas predatórias que aceitam artigos sem muitos critérios, do outro há fábricas de artigos científicos (as paper mills) prolíficas e com um portfólio de falcatruas cada vez mais extenso. Uma reportagem do The Guardian publicada em agosto divulgou o trabalho do matemático Reese Richardson, que localizou, entre 2020 e 2026, mais de 18 mil anúncios em redes como WhatsApp, Telegram e Facebook com propostas para inflar o currículo de cientistas.
Foram identificadas 14 diferentes categorias de produtos, que vão das conhecidas ofertas para inserir artificialmente nomes em estudos falsos até a possibilidade de entrar como detentor de uma patente — a propósito, os exemplos acima são verdadeiros. A IP Australia, órgão do governo australiano onde essas patentes foram depositadas, afirmou que está aberta a analisar suspeitas de desvios, mas que não existem evidências de que a organização vem sendo usada em larga escala para esse tipo de fraude.
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via Pesquisa Fapesp
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