O presente número especial de Páginas a&b resulta de uma parceria com o Grupo de Pesquisa em Informação e Comunicação (GRUPIC), liderado pelas Professoras Guilhermina Terra e Thaís Trindade, da Universidade Federal do Amazonas, Brasil. Nele se publica uma seleção de trabalhos apresentados na III Jornada de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia (JABIM), um evento online realizado nos dias 14 a 17 de abril de 2026.
Guia para o planejamento de produtos e serviços orientados ao impacto social nas bibliotecas do Sesc / PPGI – UDESC
Os resultados evidenciaram que os profissionais reconhecem potenciais transformações associadas à atuação das bibliotecas, especialmente nas dimensões educacional, cultural, social e informacional. Contudo, verificou-se que os processos de registro e acompanhamento permanecem predominantemente apoiados em métricas de atividade e desempenho e em evidências qualitativas pouco sistematizadas, revelando uma distância entre perceber potenciais impactos e geri-los de maneira estruturada. A integração entre os achados empíricos e o referencial teórico subsidiou a elaboração do Guia para o planejamento de produtos e serviços orientados ao impacto social nas Bibliotecas do Sesc, concebido como proposta técnico-profissional inicial para articular diagnóstico, definição de problemas e públicos, impactos pretendidos, resultados esperados, planejamento de ações, pressupostos, indicadores, evidências, monitoramento, avaliação e replanejamento.
Violência contra a mulher: levantamento e análise terminológica / PPGCI – UFSC
As divergências revelam racionalidades discursivas distintas: a perspectiva pedagógica favorece a circulação, a tradução e a contextualização de conceitos relacionados à violência contra a mulher, enquanto a racionalidade jurídica privilegia categorias operacionais voltadas à tipificação, responsabilização e institucionalização das condutas, além de promover a aglutinação de conceitos específicos sob categorias normativas mais abrangentes. As lacunas identificadas indicam que os processos de incorporação e institucionalização terminológica ocorrem em ritmos distintos, observados tanto pela presença de conceitos amplamente difundidos nos materiais educativos, como violência obstétrica, ainda não incorporados ao corpus normativo federal analisado, quanto pela ausência, nas cartilhas temáticas, de conceitos recentemente incorporados à legislação federal, como violência vicária. Conclui-se que os domínios educativo-informativo e normativo-jurídico desempenham funções complementares na representação e institucionalização do conhecimento sobre a violência contra a mulher, reforçando a necessidade de atualização contínua dos instrumentos de organização e representação do conhecimento para favorecer a interoperabilidade semântica entre esses domínios.
Brasil não tem nenhum município com condições adequadas para mulheres, aponta índice de gênero / Exame
Em 726 municípios brasileiros, nenhuma mulher foi eleita vereadora nas últimas eleições de 2024. Em 614, nenhuma gestante fez seis ou mais consultas de pré-natal. E em quase sete de cada dez cidades, não existe sequer um Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Os números fazem parte de um retrato do Índice Municipal de Gênero (IMG), realizado pela consultoria Tewá, após analisar os 5.570 municípios do país e concluir que nenhum deles oferece condições adequadas de vida para as mulheres.
A cidade mais bem colocada, Águas de São Pedro (SP), soma 67,06 pontos em uma escala de 0 a 100. A pior, Uiramutã (RR), tem 28,14. Nenhuma ultrapassa os 70 pontos, o corte que, em analogia ao IDH, marcaria um desempenho alto.
A média nacional é de 50,60, e mais de 90% dos municípios ficam entre 40 e 60 pontos, o que mostra que asdesigualdades se repetem em praticamente todo o território.
Quando a máquina começa a escrever o arquivo / Jornal da USP
A fala de Cármen Lúcia sobre a tecnoditadura aponta para um problema de poder, quem controla as infraestruturas capazes de interferir sobre aquilo que as pessoas veem, acreditam e fazem. O tecnodocumento aponta para um problema de memória, quem controla, produz ou transforma as condições pelas quais os registros passam a existir.
São problemas diferentes. Mas pertencem ao mesmo tempo histórico.
Se o documento tradicional guardava a marca de uma ação, o tecnodocumento precisa guardar também a memória de seu processamento. Porque, quando uma máquina passa a participar da escrita dos registros, preservar o documento já não significa apenas conservar aquilo que foi escrito.
Experimento que avaliou se espaçar prazos de entrega reduz atrasos é retratado por manipulação de dados.
“Retratações são uma das piores coisas que podem acontecer a um cientista (…). Infelizmente, os problemas de dados apresentados invalidam as descobertas de nosso artigo de 2002. Ainda assim, um artigo meu anterior (Wertenbroch, 1998) (…) e a replicação de Hyndman e Bisin (2026) mostram os custos específicos de prazos de entrega. Estou triste, mas também feliz que a equipe do Data Colada está pondo essa história em pratos limpos”, declarou.
Competência em busca acadêmica na era da IA generativa: uma estrutura conceitual para navegar na ecologia de busca e linguagem/ The Journal of Academic Librarianship
Os pesquisadores acadêmicos de hoje navegam por um cenário de busca heterogêneo, transitando com fluidez entre o Google Acadêmico, bases de dados de bibliotecas e ferramentas de IA generativa (IAg). Apesar da rápida adoção da IAg pelos estudantes, o ensino de competência informacional em bibliotecas acadêmicas permanece ancorado em ferramentas tradicionais, com as ferramentas de IAg ocupando uma posição experimental à margem do ensino formal. (…) Este artigo conceitual busca alcançar três objetivos: desenvolver um quadro de referência que integre quatro dimensões — temporal, metodológica, contextual e cognitiva/interacional — e que esclareça por que essas tensões se manifestam de formas distintas entre disciplinas e contextos; utilizar esse quadro para examinar se os padrões de responsabilidade na síntese de evidências, desenvolvidos em áreas de vocabulário estável como a medicina, podem ou devem ser transferidos sem alterações para disciplinas de conceitos menos delimitados, nas quais a busca booleana sempre se mostrou pouco adequada; e traduzir esse quadro em orientações práticas para o ensino, as consultas e a formulação de políticas.
Mapeando três décadas de métodos de pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação / Information Matters
A primeira descoberta importante foi uma mudança da pesquisa conceitual para a pesquisa empírica. O uso de abordagens teóricas diminuiu, enquanto entrevistas e questionários se tornaram cada vez mais comuns. Os pesquisadores da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação estão, portanto, dando maior ênfase às evidências coletadas de usuários, organizações, documentos e sistemas de informação. A análise de conteúdo foi o método mais frequentemente identificado, seguida por bibliometria, experimentos, abordagens teóricas e questionários. Juntos, esses cinco métodos representaram mais de três quartos de todas as aplicações de métodos.
A segunda descoberta foi uma mudança de foco da pesquisa centrada no sistema para a pesquisa centrada no usuário. Tópicos como sistemas de recuperação de informação, metadados, coleções e organização tradicional da informação geralmente perderam participação relativa. Em contrapartida, serviços de informação, informação em saúde, publicação de acesso aberto, processamento de texto e webometria aumentaram. Essas mudanças indicam uma atenção crescente aos usuários, às comunidades e aos contextos em que a informação é acessada e utilizada.
A terceira descoberta foi que os métodos frequentemente utilizados não eram necessariamente igualmente versáteis. A análise de conteúdo obteve a maior pontuação em variedade de aplicações, demonstrando que poderia ser usada para investigar uma gama particularmente ampla de tópicos da Biblioteconomia e Ciência da Informação. Bibliometria, entrevistas, experimentos e abordagens teóricas também demonstraram ampla aplicabilidade, enquanto o método Delphi e os diários de pesquisa foram utilizados de forma mais restrita.
Inovação em Museus Brasileiros: caminhos possíveis para as instituições / PPGGI – UDESC
Os resultados evidenciaram o predomínio de iniciativas de caráter incremental, contextualizado e alinhadas aos princípios da inovação frugal, demonstrando que a inovação nos museus brasileiros ultrapassa a dimensão tecnológica e se manifesta por meio de ações educativas, comunicacionais, sociais, institucionais e de relacionamento com os públicos. A pesquisa também demonstrou a ausência de mecanismos estruturados de registro, organização e compartilhamento dessas experiências, bem como desafios relacionados à atualização e à disponibilidade de informações em ambientes institucionais digitais. Como produto técnico, foi elaborado o Guia Prático de Inovação em Museus Brasileiros: mapeamento, categorias analíticas e caminhos para aplicação, acompanhado de um instrumento de autoanálise institucional destinado a apoiar processos de reflexão, planejamento e tomada de decisão.
Centenas de periódicos acadêmicos “gratuitos” começaram a cobrar taxas / Nature
A análise, publicada como preprint no início deste ano, identificou 440 títulos que inicialmente utilizavam o modelo de acesso aberto diamante — no qual os custos de publicação são cobertos por fontes como instituições, organizações sem fins lucrativos e bibliotecas, em vez de leitores e autores —, mas que migraram para outros modelos de publicação entre 2009 e 2026.
Dos 440 títulos, 369 passaram para o acesso aberto “ouro”, modalidade em que os autores pagam uma taxa de processamento de artigo (APC); 52 adotaram o acesso aberto híbrido, no qual periódicos baseados em assinatura disponibilizam artigos individuais para leitura gratuita mediante uma taxa adicional; e 19 passaram a exigir pagamento para acesso a todo o conteúdo (paywall).
As taxas de processamento de artigo (APCs) implementadas pelos periódicos variavam de US$ 8 a US$ 5.300 e dependiam, em grande parte, do tipo de editora: aquelas que os autores classificam como “editoras profissionais” geralmente começaram a cobrar taxas mais altas, enquanto organizações de pesquisa e sociedades científicas que atuam como editoras passaram, na maioria dos casos, a cobrar valores mais baixos.
Objetos de Aprendizagem e Acessibilidade para Síndrome de Down – Entrevista com Isledna Rodrigues / Divulga-CI
Confira nossa entrevista com a pesquisadora e docente Isledna Rodrigues de Almeida, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Em sua tese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba, Isledna analisou objetos de aprendizagem voltados a pessoas com Síndrome de Down, propondo melhorias de acessibilidade e usabilidade. Na entrevista, conheça mais sobre a construção da pesquisa, seus desafios e as principais contribuições.
Bots atacam e extraem dados de catálogos de bibliotecas / Intellectual Freedom Blog
Um dos impactos mais imediatamente perceptíveis da atividade de bots no trabalho das bibliotecas é a invalidação das estatísticas de busca pelo enorme influxo de dados de busca provenientes de usuários externos.
Os funcionários de bibliotecas dependem das estatísticas de busca por diversos motivos. Os dois mais importantes são: 1) orientar o treinamento em busca no catálogo para auxiliar os usuários da biblioteca na descoberta de informações e 2) orientar o desenvolvimento do acervo, de modo que autores e títulos procurados, mas não encontrados pelos usuários, possam ser adicionados ao acervo para atender às suas necessidades.
O tráfego de bots corrompe esse valioso conjunto de dados, tornando-o inutilizável se detectado. Pior ainda, quando o tráfego de bots não é detectado, pode levar a biblioteca a comprar itens que foram pesquisados por bots em buscas de spam, mas não procurados pelos usuários da biblioteca, desviando recursos da biblioteca
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